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send away the tigers (2007)
acredito que, como tudo na vida, a resenha de um álbum depende muito de referencial. a minha opinião, considerando que é a primeira vez que o manic street preachers lança um álbum decente desde que sou fã, com certeza vai ser bem diferente de quem viu um everything must go ou ou this is my truth... - álbuns clássicos - sendo lançados em sua época. será ainda mais diferente da opinião das "viúvas de richey edwards" (o guitarrista ícone da banda, desaparecido desde 1995) que acham que nada que prestasse foi lançado desde o clássico the holy bible (1994).
a questão é que send away de tigers é um álbum excelente, se considerarmos há quanto tempo se espera um disco novo da banda, que inclusive parecia fadada ao fim depois do terrível lifeblood (2004), coletâneas de singles e b-sides, anos de ostracismo e integrantes lançando discos solos. sim, é um disco que fica aquém dos grandes clássicos, mas cumpre o seu propósito: recuperar a essência da banda.
segundo o baixista e letrista nicky wire, a idéia era resgatar toda a juventude inconseqüente e idealista de generation terrorists, primeiro álbum lançado em 1992 - muito calcado na mistura de punk com hard rock - e o primeiro álbum pós-sumiço de richey e início da era "arena", everything must go (1996). a banda se juntou e começou a trabalhar no álbum sem pensar em limites. o próprio nicky afirma que, mesmo quando o guitarrista e vocalista james dean bradfield entrava numa de solos a la guns n' roses, não tinha "poda": a essência de cada um era o que importava naquele momento.
o primeiro single, em uma excelente jogada de mercado, é um dueto com nina persson, vocalista dos cardigans. "your love alone is not enough" tem auto referências e é uma canção pop perfeita - perfeita, inclusive, para voltar às rádios com tudo. e lá estão os manics de volta à mídia, com uma pequena ajuda da nossa querida loira sueca. a faixa título tem boa letra e um refrão poderosíssimo, e mostra que a banda voltou à velha forma, com direito a um bom solo de james. a faixa seguinte, "underdogs", mostra que o espírito generation terrorists realmente está presente: punch punk em pouco mais de dois minutos.
"indian summer" resgata o ritmo "valsa" do clássico "a design for life" - até a estrutura das duas são muito parecidas. impossível não comparar. daí a primeira caída, na música que, para mim, é a mais dispensável do disco: "the second great depression" me lembra algumas das coisas mais inspiradas de lifeblood - mas isso não é lá muito bom... "rendition" é muito boa, apesar da introdução meio iron maiden... me lembra "further away", de everything must go, devido ao refrão e à parede de guitarras.
"autumnsong" vem sendo difamada pela maioria dos fãs. pode ter uma das letras menos inspiradas, mas a melodia e o arranjo de cordas são bem bonitos. não se pode ter tudo, né? "i'm just a patsy" é mais uma das dispensáveis, mas não é de toda ruim. se for encarada como uma grande brincadeira de nicky wire - o que no fundo é, torna-se interessante. "imperial bodybags" é a grande surpresa: quase um psychobilly que evoluiu para um refrão pesado, porém melodioso. vibrante!
o disco termina com a anti-climática "winterlovers" e a faixa bonus "working class hero", cover de john lennon, numa ótima versão (seria isso uma remissão ao infame verso "i laughed when lennon got shot" de treze anos atrás?). ótimo, um disco curto, com bons hits e alguns fillers. sinceramente, não dava pra esperar muito mais. mas fiquei feliz de poder degustar este álbum desde antes de seu lançamento - pois hoje tudo vaza na internet - e ver que os manics ainda tem energia para criar um bom álbum e se redimir de besteiras como lifeblood e alguns anos parados.
nota: 4 de 5


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